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BLOG ESPECIALIZADO EM DESMASCARAR EMBUSTEIROS E DIVULGAR MATÉRIAS INTERESSANTES.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

APRENDENDO SOBRE RACISMO


Certamente você não ouviu falar sobre Thomas Sowell na TV ou imprensa, porque boa parte desses veículos de comunicação preferem ignorá-lo devido ao choque que as declarações dele provoca indo contra a lavagem cerebral tendenciosa da mídia impõe ao público pouco esclarecido e alheio à verdade. Confira a biografia de Thomas Sowell neste link: https://www.erealizacoes.com.br/blog/thomas-sowell/  



segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

OS PAIS DA ECONOMIA (ANTERIORES A ADAM SMITH)

Juan de Mariana: A Influência dos Escolásticos Espanhóis
A pré-história da Escola Austríaca de economia pode ser encontrada nos trabalhos dos escolásticos espanhóis, escritos no período que ficou conhecido como "Século Dourado Espanhol", que vai de meados do século XVI até o fim do século XVII. 
Quem eram esses intelectuais espanhóis precursores da Escola Austríaca de economia? A maioria deles eram escolásticos que lecionavam ética e teologia na Universidade de Salamanca, na medieval cidade espanhola que fica a 240 quilômetros a noroeste de Madrid, perto da fronteira entre Espanha e Portugal. Esses escolásticos, em sua maioria dominicanos e jesuítas, articularam a tradição subjetivista, dinâmica e libertária na qual, duzentos e cinqüenta anos depois, Carl Menger e seus seguidores se basearam, dando-lhe grande importância. Talvez o mais libertário de todos os escolásticos, particularmente em seus últimos trabalhos, tenha sido o padre jesuíta Juan de Mariana.
Mariana nasceu na cidade de Talavera de la Reina, perto de Toledo. Ele parece ter sido o filho ilegítimo de um cônego de Talavera, e aos dezesseis anos ele se juntou à Sociedade de Jesus, que acabara de ser criada. Aos vinte e quatro, ele foi convocado para ir a Roma lecionar teologia, sendo depois transferido para a escola que os jesuítas tinham na Sicília, e de lá para a Universidade de Paris. Em 1574, ele retornou à Espanha, morando e estudando em Toledo até sua morte aos oitenta e sete.
Não obstante o Padre Mariana tenha escrito muitos livros, o primeiro a ter um conteúdo libertário foi De rege et regis institutione (Sobre o rei e a instituição real), publicado em 1598, no qual ele fazia sua famosa defesa do tiranicídio. De acordo com Mariana, qualquer cidadão pode justificadamente matar um rei que crie impostos sem o consentimento das pessoas, confisque a propriedade dos indivíduos e a desperdice, ou impeça a reunião de um parlamento democrático. As doutrinas contidas neste livro foram aparentemente usadas para justificar o assassinato dos reis tiranos franceses Henrique III e Henrique IV, e o livro foi queimado em Paris pelo carrasco como resultado de um decreto publicado pelo Parlamento de Paris, em 4 de julho de 1610.
Na Espanha, apesar de as autoridades nunca terem sido entusiastas dele, o livro foi respeitado. De fato, tudo o que Mariana fez foi pegar a idéia de que a lei natural é moralmente superior ao poderio do estado e levá-la à sua conclusão lógica. Essa idéia tinha previamente sido desenvolvida em detalhes pelo grande fundador do direito internacional, o dominicano Francisco de Vitoria (1485-1546), que foi quem começou a tradição escolástica espanhola de denunciar a conquista e particularmente a escravização dos índios pelos espanhóis no Novo Mundo.
Mas talvez o mais importante livro de Mariana seja a obra publicada em 1605 com o título de De monetae mutatione (Sobre a alteração da moeda). Nesse livro, Mariana começou a questionar se o rei era o dono da propriedade de seus vassalos ou cidadãos, e chegou a conclusão de que ele não era. O autor então fez sua distinção entre um rei e um tirano e concluiu que "o tirano é aquele que esmaga tudo que está sob seus pés e acredita que tudo lhe pertence; o rei restringe sua cobiça dentro dos termos da razão e da justiça".
Disso, Mariana deduziu que o rei não pode cobrar impostos sem o consentimento da população, posto que impostos são simplesmente uma apropriação de parte da riqueza de um indivíduo. Para que tal apropriação seja legítima, ambas as partes têm que estar de acordo. Da mesma maneira, o rei também não pode criar monopólios estatais, já que eles seriam simplesmente um meio disfarçado de se coletar impostos.
O rei também não pode — e essa é a parte mais importante do livro — obter receitas fiscais extras diminuindo o conteúdo metálico das moedas. Mariana percebeu que a redução do conteúdo de metais preciosos nas moedas, e o aumento do número de moedas em circulação, é claramente uma forma de inflação (apesar de ele não usar essa palavra, que era desconhecida à época), e que a inflação inevitavelmente leva a um aumento de preços porque "se a moeda sofre uma queda de seu valor legítimo, todos os bens encarecem inevitavelmente, na mesma proporção da queda do valor da moeda, e todas as contas entram em colapso".
Mariana descreve as sérias conseqüências econômicas às quais a adulteração e a manipulação por parte do governo no valor de mercado da moeda leva, da seguinte maneira: "Somente um tolo iria tentar separar esses valores de tal maneira que o preço legítimo tivesse que diferir do preço natural. Insensato, mais ainda, perverso é o soberano que ordena que algo que as pessoas comuns valoram em, digamos, cinco deva ser vendido a dez. Os homens são guiados nessa questão pela estimativa comum encontrada nas considerações sobre a qualidade das coisas, e pela sua abundância e escassez. Seria inútil para um Príncipe tentar solapar esses princípios de comércio. É muito melhor deixá-los intactos ao invés de atacá-los a força em detrimento do povo."
Devemos notar como Mariana se refere ao fato de que a "estimativa comum" dos homens é a origem do valor das coisas, seguindo assim a tradicional doutrina subjetivista dos escolásticos, que foi inicialmente proposta por Diego de Covarrubias y Leyva. Covarrubias (1512-577), o filho de um famoso arquiteto, se tornou bispo da cidade de Segovia e ministro do Rei Filipe II. Em 1554 ele demonstrou, melhor do que qualquer um já havia feito antes, a teoria subjetivista do valor, dizendo que "o valor de um artigo não depende de sua natureza essencial, mas da estimativa subjetiva dos homens, mesmo se essa estimativa for tola", ilustrando sua tese com o exemplo de que "nas Índias, o trigo é mais precioso do que na Espanha porque os homens o estimam mais favoravelmente, apesar de a natureza do trigo ser a mesma em ambos os lugares".
A concepção subjetivista de Covarrubias foi completada por outro de seus contemporâneos escolásticos, Luis Saravia de la Calle, que foi o primeiro a demonstrar que os preços determinam os custos, e não vice-versa. Saravia de la Calle também tinha a distinção especial de escrever em espanhol, e não em latim. Sua obra se chamava Instruccion de mercaderes (Instrução aos mercadores), e lá pode-se ler que "aqueles que mensuram o preço justo pelo trabalho, custos e riscos incorridos pela pessoa que lida com a mercadoria estão cometendo um grande erro. O preço justo não é encontrado pela contagem dos custos, mas pela estimativa comum".
A concepção subjetivista iniciada por Covarrubias também permitiu que outros escolásticos espanhóis obtivessem um discernimento claro da verdadeira natureza dos preços de mercado, e da impossibilidade de se alcançar um equilíbrio econômico. Assim, o cardeal jesuíta Juan de Lugo, perguntando-se qual seria o preço de equilíbrio, já no ano 1643 chegou à conclusão de que o equilíbrio dependia de um número tão grande de circunstâncias específicas que apenas Deus seria capaz de sabê-lo ("Pretium iustum mathematicum licet soli Deo notum"). Outro jesuíta, Juan de Salas, referindo-se às possibilidades de saber informações específicas do mercado, chegou à mesma conclusão hayekiana de que todo o mercado era tão complexo que "quas exacte comprehendere et ponderare Dei est non hominum" (somente Deus, e não o homem, pode entendê-lo exatamente).
Ademais, os escolásticos espanhóis foram os primeiros a introduzir o conceito dinâmico de concorrência (em latim, concurrentium), que é melhor compreendido como um processo de rivalidade entre empresários. Por exemplo, Jeronimo Castillo de Bovadilla (1547-?) escreveu que "os preços irão cair como resultado da abundância, rivalidade (emulacion), e concorrência (concurrencia) entre os vendedores." 
A mesma idéia é seguida de perto por Luis de Molina. Covarrubias também antecipou muitas das conclusões do Padre Mariana em seu estudo empírico sobre a história da desvalorização da principal moeda daquela época, a Maravedi castelhana. Esse estudo continha uma compilação de um grande número de estatísticas sobre a evolução dos preços nos séculos anteriores e foi publicado em latim em seu livro Veterum collatio numismatum (Compilação das moedas antigas). Esse livro foi muito elogiado na Itália por Davanzaty e Galiani e foi também citado por Carl Menger em seu livro Princípios de Economia Política.
Também devemos notar como o Padre Mariana, ao explicar os efeitos da inflação, listou os elementos básicos da teoria quantitativa da moeda, que havia sido anteriormente explicada em detalhes completos por outro notável escolástico, Martin Azpilcueta Navarro (também conhecido como Dr. Navarro), que nasceu em Navarra (nordeste da Espanha, perto da França) em 1493. Azpilcueta viveu por noventa e quatro anos e é famoso principalmente por explicar, em 1556, a teoria quantitativa da moeda em seu livro Resolutory Commentary on Exchanges. Observando os efeitos sobre os preços espanhóis do maciço influxo de metais preciosos vindos da América para a Espanha, Azpilcueta declarou que "como pode ser observado por experiência própria, quando a França tem menos moeda que a Espanha, o pão, o vinho, as roupas, a mão-de-obra e os serviços custam muito menos; e mesmo na Espanha, quando havia menos moeda, as coisas que podiam ser vendidas, bem como a mão-de-obra e os serviços dos homens, eram oferecidas por bem menos do que após as Índias terem sido descobertas e terem enchido a Espanha de ouro e prata. O motivo disso é que a moeda vale mais onde e quando ela está em falta do que onde e quando ela está em abundância."
Voltando ao Padre Mariana, torna-se claro que sua mais importante contribuição foi perceber que a inflação era um imposto que "taxa aqueles que tinham dinheiro antes e, como conseqüência, são forçados a comprar as coisas a um preço mais elevado". Além disso, Mariana argumentava que os efeitos da inflação não podem ser resolvidos fixando-se impostos ou preços máximos, dado que experiências já mostravam que essas ações sempre foram ineficazes. Além do mais, dado que a inflação é um imposto, segue-se da sua teoria sobre a tirania que seria necessário haver um consentimento das pessoas para essa ação. Mas, mesmo que tal consentimento existisse, a inflação iria sempre ser um imposto extremamente danoso e que iria desorganizar a vida econômica: "esse novo tributo resultante de um metal desvalorizado, que é algo ilícito e maléfico se feito sem o consentimento do reino, ou mesmo que feito com esse consentimento, considero-o errôneo e nocivo em muitas maneiras."
Como se poderia evitar que se recorresse ao confortável recurso da inflação? Equilibrando-se o orçamento, sendo que para tal propósito Mariana basicamente propôs que se gastasse menos com a família real porque "uma quantia moderada, gasta corretamente, resplandece mais e apresenta uma maior grandiosidade do que uma quantia supérflua gasta sem critério". Ademais, Mariana propôs que "o rei deveria reduzir seus favores"; em outras palavras, ele não deveria gratificar os reais ou supostos serviços de seus vassalos tão generosamente: "não há reino no mundo com tantos prêmios, comissões, pensões, benefícios, e cargos; se eles todos fossem distribuídos de maneira ordeira, haveria uma necessidade menor de se retirar recursos adicionais do tesouro público ou de outros impostos".
Como podemos ver, a falta de controle sobre o gasto público e a compra de apoio político através de subsídios data de muito tempo atrás. Mariana também propôs que "o rei deveria evitar empreendimentos e guerras desnecessários, arrancando os membros cancerosos que não podem ser curados". Em resumo, ele apresentou um programa completo para a redução do gasto público e para manter o equilíbrio orçamentário. Algo que, mesmo para hoje, serve de modelo.
É óbvio que se Padre Mariana conhecesse os mecanismos econômicos, criados pelos bancos, que levam ao processo de expansão do crédito, e se ele soubesse dos efeitos desse processo, ele os teria condenado como sendo roubo. Ele teria condenado não apenas a adulteração das moedas feita pelo governo, mas também a ainda mais nociva inflação creditícia criada pelos bancos. No entanto, outros escolásticos espanhóis foram capazes de analisar a expansão do crédito feita pelos bancos. Assim, de la Calle foi muito crítico do sistema bancário de reservas fracionárias. Ele afirmava que receber juros era incompatível com a natureza de um depósito a vista (em conta-corrente), e que, seja como for, uma taxa deveria ser paga ao banqueiro por manter o dinheiro sob sua custódia. Uma conclusão similar é feita pelo mais famoso Azpilcueta Navarro. 
Molina era simpático ao sistema bancário de reservas fracionárias e confundia a natureza de dois diferentes contratos, empréstimos e depósitos, os quais Azpilcueta e Saravia de la Calle claramente já haviam diferenciado um do outro, anteriormente. Um aspecto mais relevante é que Molina foi o primeiro teorista a descobrir, em 1597 (portanto, bem antes de Pennington em 1826), que os depósitos bancários são parte da oferta monetária. Ele até mesmo propôs o nome "chirographis pecuniarium" (dinheiro escrito) para se referir aos documentos escritos que eram aceitos no comércio como sendo dinheiro bancário. Portanto, os escolásticos se dividiam em duas escolas incipientes. A primeira é um tipo de "Escola da Moeda", composta por Saravia de la Calle, Azpilcueta Navarro e Tomas de Mercado, que eram muito desconfiados das atividades bancárias, as quais eles implicitamente exigiam que mantivessem uma reserva de cem por cento. A segunda era um tipo de "Escola Bancária", liderada pelo jesuíta Luis de Molina e Juan de Lugo, que eram bem mais tolerantes a um sistema bancário de reservas fracionárias. Ambos os grupos foram até certo ponto os precursores do desenvolvimento teórico que só chegaria três séculos depois à Inglaterra como resultado do debate entre a Escola da Moeda e a Escola Bancária.
Murray Rothbard enfatiza quão importante foi outra contribuição dos escolásticos espanhóis, especialmente Azpilcueta, para ressuscitar o conceito vital de preferência temporal, originalmente desenvolvida por um dos mais brilhantes pupilos de Tomás de Aquino, Giles Lessines, que, já no ano 1285, escreveu "que os bens futuros não são valorados tão grandemente quanto os mesmos bens disponíveis para o imediato momento, nem permitem eles que seus donos atinjam a mesma utilidade. Por essa razão, e por uma questão de justiça, deve-se considerar que eles tenham um valor mais reduzido".
Padre Mariana também escreveu outro importante livro, Discurso de las enfermedades de la Compania (Discurso sobre a enfermidade da ordem jesuíta), que foi publicado postumamente. Nesse livro, Mariana criticava a hierarquia militar estabelecida na ordem jesuíta, mas também desenvolveu o puro insight austríaco de que é impossível equipar o estado com um conteúdo coordenador por causa da falta de informação. Nas palavras de Mariana: "poder e comando é loucura. . . . Roma está muito longe, o general nem sequer conhece as pessoas, os fatos, e todas as circunstâncias que os cercam, sobre as quais depende o sucesso. . . . É inevitável que muitos erros sérios serão cometidos e as pessoas com isso fiquem insatisfeitas e passem a desprezar um governo tão cego. . . . É um grande erro o cego querer guiar o de vista aguda". Mariana conclui que, quando há muitas leis, "se todas elas não puderem ser mantidas ou conhecidas, o respeito por todas elas está perdido".
Sumarizando, o Padre Mariana e os escolásticos espanhóis foram capazes de desenvolver os elementos essenciais daquelas que seriam mais tarde as bases teóricas da Escola Austríaca de economia, especificamente as seguintes: primeira, a teoria subjetiva do valor (Diego de Covarrubias y Leyva); segunda, a relação adequada entre preços e custos (Luis Saravia de la Calle); terceira, a natureza dinâmica do mercado e a impossibilidade do modelo de equilíbrio (Juan de Lugo e Juan de Salas); quarta, o conceito dinâmico da concorrência entendido como um processo de rivalidade entre vendedores (Castillo de Bovadilla e Luis de Molina); quinta, a redescoberta do princípio da preferência temporal (Martin Azpilcueta Navarro); sexta, a influência deturpadora do crescimento inflacionário da moeda sobre os preços (Juan de Mariana, Diego de Covarrubias, e Martin Azpilcueta Navarro); sétima, os efeitos econômicos negativos do sistema bancário de reservas fracionárias (Luis Saravia de la Calle e Martin Azpilcueta Navarro); oitava, depósitos bancários formam parte da oferta monetária (Luis de Molina e Juan de Lugo); nona, a impossibilidade de se organizar a sociedade através de comandos coercivos, devido à falta de informações (Juan de Mariana); e décima, a tradição libertária de que qualquer intervenção indevida no mercado por parte do estado é uma violação da lei natural (Juan de Mariana).
Para poder entender a influência dos escolásticos espanhóis no posterior desenvolvimento da Escola Austríaca de economia devemos nos lembrar que no século XVI o Imperador Carlos V, que era o Rei da Espanha, enviou seu irmão Fernando I para ser o Rei da Áustria. "Áustria" significa, etimologicamente, "parte oriental do Império", e o Império naquele tempo abrangia quase toda a Europa continental, com a única exceção da França, que permanecia uma ilha isolada cercada por forças espanholas. Então é fácil entender a origem da influência intelectual dos escolásticos espanhóis sobre a Escola Austríaca, o que não foi algo puramente coincidente ou um mero capricho da história, mas que se originou das íntimas relações históricas, políticas e culturais que passaram a existir entre a Espanha e a Áustria desde o século XVI em diante. 
Além disso, a Itália também teve um papel importante nessas relações, atuando como uma autêntica ponte cultural, econômica e financeira sobre a qual as relações entre os dois pontos mais distantes do Império na Europa (Espanha e Viena) fluíam. Portanto, há muitos argumentos importantes para defender a tese de que, pelo menos em suas raízes, a Escola Austríaca é realmente uma Escola Espanhola. E de fato, podemos dizer que o maior mérito de Carl Menger foi ter redescoberto e abraçado essa tradição católica européia do pensamento escolástico espanhol, que estava quase esquecido e havia sido interrompido como conseqüência da Lenda Negra contra a Espanha e devido a influência muito negativa sobre a história do pensamento econômico de Adam Smith e seus seguidores da Escola Britânica Clássica.
Felizmente, e apesar do opressivo imperialismo intelectual da Escola Britânica Clássica, a tradição da Europa continental nunca foi totalmente esquecida. Economistas como Cantillon, Turgot e Say mantiveram a tocha do subjetivismo acesa. Mesmo na Espanha, nos anos de decadência dos séculos XVIII e XIX, a velha tradição escolástica sobreviveu apesar do complexo de inferioridade perante o mundo intelectual britânico, coisa bem típica daqueles anos.
Prova disso é a maneira como um outro escritor católico espanhol resolveu o "paradoxo do valor" e claramente demonstrou a teoria da utilidade marginal vinte e sete anos antes de Carl Menger. Trata-se do catalão Jaime Balmes (1810-1848). Durante sua curta vida, ele se tornou o mais importante filósofo tomista espanhol de seu tempo. Em 1844, ele publicou um artigo intitulado "True idea of value or thoughts on the origin, nature, and variety of prices" ("A verdadeira idéia do valor, ou pensamentos sobre a origem, a natureza e a variedade de preços"), no qual ele resolveu o paradoxo do valor e claramente demonstrou a idéia da utilidade marginal. Balmes pensou, "Por que uma pedra preciosa vale mais do que um pedaço de pão?" E ele próprio respondeu, "Não é difícil de explicar. Sendo o valor de um objeto a sua utilidade. . . se o número de unidades desse objeto aumenta, a necessidade por qualquer um deles em particular cai; por ser possível escolher dentre várias unidades, nenhuma delas é indispensável. Por essa razão há uma relação necessária entre o aumento ou a diminuição do valor, e a escassez ou abundância do objeto."
Dessa maneira, Balmes pôde fechar o círculo da tradição continental européia, que estava pronta para ser assumida, completada e otimizada alguns anos mais tarde por Carl Menger e seus seguidores da Escola Austríaca de economia.
Fonte: MISES.ORG: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=83
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OPINIÃO DO BLOG: Será que Adam Smith não chegou a ler as obras de Juan de Mariana? Muito improvável, mas esse detalhe nunca estará em nenhuma biografia sua (de Smith). Fica evidente mais uma vez a tendência de se criar mitos ocultando os verdadeiros pioneiros, principalmente se estes pioneiros fazem parte da Igreja Católica, a eterna "repressora do conhecimento científico", como é rotulada nas instituições de ensino mundo afora.  


CONHECENDO O GRAMSCISMO


O gramscismo e os seus principais agentes no Brasil - por FELIPE TELLES
Antonio Gramsci, nascido na Itália, é um dos maiores responsáveis pelo processo de completa degeneração moral verificado no Brasil, embora muitos sequer tenham ouvido falar em seu nome. Foi membro-fundador e secretário-geral do Partido Comunista da Itália, acabou sendo preso por ação de Mussolini em 1926, o que não o impediu de escrever suas notas, que saíam da prisão por intermédio de sua cunhada, funcionária da embaixada soviética em Roma. Notas que viriam a se tornar a bíblia da estratégia revolucionária.

“Gramsci ficou meditando na cadeia. Mussolini, que o mandara prender, acreditava estar prestando um serviço ao mundo com o silêncio que impunha àquele cérebro que julgava temível. Aconteceu que, no silêncio do cárcere, o referido cérebro não parou de funcionar; apenas germinou ideias que dificilmente lhe teriam ocorrido na agitação das ruas. Gramsci transformou a estratégia comunista, de um grosso amálgama de retórica e força bruta, numa delicada orquestração de influências sutis, penetrante como a Programação Neurolinguística” (Olavo de Carvalho, 1994).

Marxista, Gramsci foi o responsável por unir Maquiavel e Marx em uma só doutrina. Ele ensinou que, para o marxismo triunfar, deve haver uma abdicação do radicalismo ostensivo a fim de ampliar a margem de alianças. Ensinou que a zona mais profunda da sabotagem psicológica deve prevalecer em relação ao combate político direto. Ensinou, principalmente, que dizimar as bases morais e culturais do adversário é mais importante que ganhar votos.

Chegou à referida conclusão ao analisar a postura do governo russo para implementação do comunismo e logo percebeu que algo havia de errado. As massas, predominantemente religiosas e conservadoras, ofereciam resistência ao plano revolucionário que estava sendo imposto, eternizando a etapa de transição, a ditadura do proletariado, e impedindo o advento, de fato, do comunismo. Para contornar essa dificuldade, seria necessário o adestramento do povo durante a vigência do capitalismo. Assim, com o advento do comunismo, não existiria resistência e todos aceitariam de bom grado um regime que rompesse com valores até pouco tempo considerados sacros pela população.
Em suas notas, escritas durante o tempo em que esteve preso, dois termos eram sempre diferenciados: poder e hegemonia. Poder é “o domínio sobre o aparelho de Estado, sobre a administração, o exército e a polícia”, enquanto hegemonia é “o domínio psicológico sobre a multidão”. Daí a característica essencial do Gramscismo: o poder fundado numa hegemonia prévia, absoluto e incontestável, diferindo bastante das estratégias adotadas por Lenin, em que o controle deveria ser conquistado meramente pelo uso da força.

Gramsci ensina estar em jogo um terreno mais profundo que o confronto ideológico: o senso comum, dominado por automatismos mentais, representando hábitos inconscientes por parte da população e originando modelos padronizados de reagir às situações. Observou que o senso comum do povo é constituído de uma verdadeira “suruba ideológica”. É muito comum encontrar, mesmo atualmente, pessoas que defendem interesses de grupos ideológicos opostos. Por exemplo: um socialista que possui hábito de ir à Igreja e não percebe a enorme contradição deste fato. Gramsci pretendia reformar o senso comum, de tal forma que as pessoas passassem a ser coerentes com o interesse de classe respectivo.

“Não basta derrotar a ideologia expressa da burguesia, era preciso extirpar, junto com ela, todos os valores e princípios herdados de civilizações anteriores, que de algum modo incorporou e que se encontram hoje no fundo do senso comum. Trata-se, enfim, de uma gigantesca operação de lavagem cerebral visando apagar da mentalidade popular, e sobretudo do fundo inconsciente do senso comum, toda a herança moral e cultural da humanidade, para substituí-la por princípios radicalmente novos, fundados no historicismo absoluto.

Uma operação dessa envergadura transcende infinitamente o plano de mera pregação revolucionária e abrange mutações psicológicas de imensa profundidade.” Como executar uma alteração drástica no senso comum e obter a tão sonhada hegemonia? Gramsci enxerga que a peça principal do seu método é o agente intelectual. Mas o intelectual, no sentido gramsciano, não é apenas o filósofo, o historiador e o cientista. Jornalistas, funcionários dos correios, locutores esportivos, cineastas, músicos e até mesmo humoristas podem ser tão intelectuais quanto, basta que contribuam para a panfletagem ideológica e influenciem a maior quantidade de pessoas possível. O que está em jogo não é a busca pelo conhecimento e o compromisso com a verdade, mas tão somente a contribuição com a primeira e mais decisiva etapa da estratégia.

Um intelectual academicamente rígido e um agitador notório pouco possuem importância para a revolução gramsciana. Um jornalista discreto, que não se posiciona explicitamente e vai mudando delicadamente o teor do noticiário, e um cineasta cujos filmes não propõem qualquer mensagem política ostensiva, certamente executam muito melhor a função de penetrar fundo no imaginário popular. Desta maneira é formada a tropa de elite do exército gramsciano, que introduz gradualmente novos sentimentos à população.

Confira exemplos do Gramscismo em ação no Brasil:

O aborto é uma das maiores pautas da esquerda revolucionária, que através de veículos influentes, sempre divulga dados falsos. Conforme o DataSus, o número de abortos clandestinos é de aproximadamente 100 mil ao ano, enquanto o número de mortes não passa de 44. Os dados da matéria foram completamente inflacionados.  O título transfere a culpa para a vítima, desfocando a atrocidade cometida pelo bandido. Prática bastante comum na mídia brasileira.

Há uma tendência midiática em sempre associar qualquer tipo de atrocidade à “extrema-direita”, uma estratégia para adestrar a população e transferir a culpa dos atos sempre para uma abstração inexistente. O indivíduo em questão era um neonazista, portanto, posicionado no espectro político da esquerda. Ao perceber a ascensão do candidato Jair Bolsonaro, a grande mídia faz de tudo para evitar citá-lo, com manobras sórdidas a fim de apagá-lo do imaginário popular. Exemplos de agentes do Gramscismo:


Juninho Pernambucano, ex-jogador de futebol e jornalista esportivo, usa de sua popularidade para influenciar politicamente os jovens. O Twitter é a sua principal arma.



Tico Santa Cruz é vocalista da banda Detonautas, que fez bastante sucesso nos anos 90. Entretanto, atualmente é mais conhecido por seu desconhecimento sobre ciência política básica e por suas controversas opiniões que faz questão de expor sempre que tem oportunidade. É defensor assíduo do PT, do desarmamento e da estatização. O Facebook é a sua principal arma.


Gregório Duvivier é humorista e “isentão”, um dos tipos de agentes mais perigosos. Notabilizou-se por defender políticos criminosos como Lula e Dilma, pautas como aborto e drogas e movimentos “sociais” como o MST. Entretanto, Duvivier se autodenomina “independente” e continua a influenciar os jovens. 

Vale ressaltar, por último, que o rigor dogmático presente no Gramscismo é muito inferior ao de todas as outras correntes marxistas ante sua preocupação meramente disseminativa: qualquer obra ou pessoa pode contribuir para a propagação dos cacoetes revolucionários. Títulos distorcidos propositalmente; omissão de informações em textos jornalísticos; matérias unidas com outras cujo efeito de conjunto proporciona um novo sentido. Tudo isso é válido, pois os fins justificam os meios.

Embora o número de autodeclarados gramscistas não seja grande (Gilberto Dimenstein, jornalista e dono da Catraca Livre, foi um dos poucos a citar Gramsci nominalmente, na Folha de São Paulo, em 1997), são necessários poucos dias no Brasil para presenciar tamanha a devastação causada pela ideologia. Pessoas que jamais ouviram falar em Antonio Gramsci reproduzem cacoetes mentais dos mais tenebrosos, isto que gramscismo não é um partido político e não necessita de eleitores fiéis. O gramscismo coloca o indivíduo numa posição de colaboração em favor da ideologia, sem que disto o colaborador tenha a menor consciência.

Adolescentes que mal saíram do ensino fundamental repetem “Fora, Temer”, sem que de política tenham a menor consciência. Jovens histéricos repetem “nenhum direito a menos” ao falar sobre a PEC 55, sem que de finanças públicas tenham o menor conhecimento. Estudantes de humanas das universidades federais propagam vulgaridades filosóficas como “nada é errado se te faz feliz” e “não existem verdades absolutas”. Todos comportamentos absolutamente automáticos e previsíveis, meros automatismos mentais impregnados da forma mais sórdida possível.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

SBB ESCORREGA NA MENTIRA PROTESTANTE


Por Fernando Nascimento

Era praxe no meio protestante, sacarem do seu paiol de mentiras estratégicas a afirmação: “a Igreja Católica colocou sete livros na bíblia em 1546, no concílio de Trento. Estes livros são “apócrifos”, “espúrios”, "escondidos", "secretos", "obscuros". Faziam isso com diabólica intenção de caluniar a Igreja Católica.

Recentemente a SBB – Sociedade Bíblica do Brasil, que publica as bíblias protestantes no Brasil, acabou com séculos de mentiras protestante, quando para a surpresa de todos, publicou a Septuaginta, ou seja, uma bíblia que reúne os livros do Velho testamento, usada pelos apóstolos de Jesus e que contém os sete livros que os protestantes arrancaram e caluniavam que a Igreja Católica os havia “acrescentado”.

De sorriso amarelo, a SBB publicou o seguinte texto que promovia a obra, os grifos são meus:

Septuaginta (ou Tradução dos Setenta)
Esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios, ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C.

A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.

Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões
do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos
pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.
(Após nossa denúncia a SBB excluiu esse texto que estava no endereço: http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=45  ). Mas o Fimdafarsa obteve o print screen da página antes de ser excluída, gentilmente cedida pelo apologista católico Cristiano Macabeus. (Clique na foto para ampliar)


Vamos por partes, fazer as devidas correções no despistador texto da SBB:

1- Diz a SBB: “Esta foi a primeira tradução. Realizada por 70 sábios, ela contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica, pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C.”

Observação: os sete livros não fazem parte da coleção hebraica, porque essa tal coleção hebraica é posterior a coleção cristã, é do final do primeiro século e foi feita pelos judeus que perseguiram Jesus e queriam extirpar os livros com temática cristãs do meio judaico, mas os cristãos usavam sim esses sete livros recusados pelos fariseus e protestantes. Confirmando isso diz a SBB que vende bíblias com a coleção hebraica, sem os sete livros, em vergonhosa contradição: ” A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia”. Detalhe: a “Igreja primitiva” é a Igreja de Jesus, a mesma e milenar Igreja Católica.

2- Diz a SBB: “Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.”

Correção: os sete livros são chamados “apócrifos” só pelos inimigos de Cristo que os excluíram de seu particular cânon judaico, feito só no final do primeiro século. Deram-lhes malandramente o nome de “apócrifos” para desclassificá-los, e os protestantes engoliram isso e se acomunaram aos escarnecedores de Jesus.

"Apócrifos" sempre significou: [escritos de assunto sagrado não incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas.] (Dicionário Enciclopédia. Encarta 99).

Ou seja, “apócrifos” são os livros que ficaram fora do Cânon da Igreja, e os sete livros que estão na Septuaginta, estão sim no Cânon da Igreja, e a SBB provou isso dizendo: ” A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia”.

3- Diz a SBB: Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.

Ou seja: a SBB está simplesmente confessando que a Septuaginta, já continha os sete livros da bíblia católica que os protestantes arrancaram. Como é doce ler essa confissão:  “foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.

Isso explica o porquê dos sete livros já se encontrarem, inclusive, na Bíblia de Gutemberg, impressa mais de meio século antes da Reforma Protestante.
A Bíblia de Gutemberg pode ser acessada e integralmente consultada na Biblioteca Britânica, neste link: http://molcat1.bl.uk/treasures/gutenberg/search.asp

Lutero traduziu para o alemão os sete livros. Na sua edição alemã datada de 1534, o catálogo é o mesmo dos católicos. A sociedade Bíblica protestante até o séc. XIX incluíam os sete livros em suas edições da Bíblia. Depois disso os excluiu, e para justificar essa grave blasfêmia, criou um mar de calúnias contra a Igreja Católica e cada livro. Ainda hoje os protestantes costumavam levianamente insultar cada livro que arrancaram com uma mentira diferente.

Logo, o que o protestantismo usa não é a bíblia, mas o cânon farisaico do Velho Testamento, junto ao cânon católico do Novo Testamento.  Logo o que o protestantismo prega não é a verdade, mas a Mentira, esse instrumento do Diabo.

“Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira”. (Jo 8,44).

Entenda a sacanagem da SBB para com os protestantes:

A bíblia protestante “Almeida”, que contém o novo e o velho testamento faltando sete livros arrancados pelos protestantes, é vendida pela SBB por R$ 47,90, no dia em que foi feita essa refutação.

A mesma SBB, dos protestantes que retiraram os sete livros da bíblia, agora estão vendendo a Septuaginta, do início do cristianismo, que contém os sete livros que eles retiraram, por: R$ 172,00.

Isso é hilário. E finalmente, acabou a lorota protestante de que a Igreja "colocou 7 livros na bíblia". 

Fonte: FIM DA FARSA: http://fimdafarsa.blogspot.com.br/2012/03/sbb-publica-septuaginta-e-acaba-mentira.html