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domingo, 8 de dezembro de 2013

HENRY KOSTER, CRONISTA DO NORDESTE BRASILEIRO EM 1816



     Filho do comerciante inglês de Liverpool, John Theodore Koster, Henry Koster nasceu em Lisboa, Portugal. Não se sabe ao certo a data do seu nascimento, mas ao chegar no Recife, no dia 7 de setembro de 1809, consta que tivesse 25 anos de idade. Considerado um dos mais importantes cronistas sobre o Nordestebrasileiro, Koster viajou para o Brasil em busca de um clima tropical para curar uma tuberculose.


     Teve um papel importante na vida social, artística e até política do Recife na época. Fez muitas amizades,  conheceu governadores, senhores-de-engenho, comerciantes, coronéis. Falava o português com fluência, o que fazia com que algumas pessoas duvidassem da sua nacionalidade, tratando-o brasileiramente por Henrique da Costa. Em 1810, sentindo-se bem melhor da doença que o acometia, resolveu viajar a cavalo para a Paraíba e de lá foi até Fortaleza, no Ceará. Voltou ao Recife no início de fevereiro de 1811 e já no final do mês viajou novamente, desta vez por mar, para o Maranhão, de onde regressou para a Inglaterra.

     Em 27 de dezembro do mesmo ano, voltou ao Recife e fez uma viagem ao sertão de Pernambuco. Quando retornou, arrendou o engenho Jaguaribe, na ilha de Itamaracá, tornando-se agricultor e senhor-de-engenho. Como bom observador anotava, com detalhes, tudo o que via em suas viagens e no seu dia-a-dia. Tomava parte da vida brasileira, conhecendo seu povo, seus usos e costumes, convivendo nas ruas com as mais diferentes camadas da população e freqüentando festas da sociedade local. Retornando à Inglaterra, em 1815, resolveu escrever um livro sobre o Brasil. Publicou-o em Londres, sob o título Travels in Brazil, em 1816. 

     A obra obteve uma grande repercussão na Europa, com várias edições publicadas em diversas línguas. A primeira edição brasileira do livro, com tradução de Luís da Câmara Cascudo, foi publicada em 1942, com o título Viagens ao Nordeste do Brasil. Koster não pretendia voltar ao Brasil, mas ao concluir o livro e sentindo o recrudescimento da tuberculose, retornou a Pernambuco em 1817.

     Transferiu-se depois para Goiana, ao norte de Pernambuco, à procura de um clima melhor para sua saúde. Segundo informações de um outro viajante inglês, seu contemporâneo James Henderson, Henry Koster teria retornado ao Recife em fins de 1819, onde faleceu no início de 1820, sendo enterrado noCemitério dos Ingleses, em local não identificado.




Confira trecho do livro sobre a cidade de Goiana:

"CAPÍTULO IV. 
VIAGEM DE GOIANA À PARAÍBA E DE VOLTA A GOIANA.

(...) A cidade de Goiana, uma das maiores e mais florescente da capitania de Pernambuco, está situado sobre as margens de um rio do mesmo nome, que neste local se inclina de modo considerável, que a cidade é quase rodeada por ela. As moradias, com uma ou duas exceções, têm apenas o piso térreo, as ruas não são pavimentadas, mas são amplas, e destes o principal deles é de amplitude suficiente para admitir de uma grande igreja em uma extremidade, e a continuação de uma rua de largura considerável em cada lado da igreja. A cidade contém um convento carmelita, e vários outros locais de culto. Os habitantes são em número entre quatro e cinco mil, e é um lugar cada vez maior. Várias lojas estão estabelecidas aqui, e o comércio com o interior é considerável. Nas ruas estão sempre a ser visto números dos 'matutos' *, conterrâneos, ou venda de produtos ou a compra de bens manufaturados e outros artigos de consumo. 

     Nas imediações muitas plantações de açúcar fino. Suponho que algumas das melhores terras da província estão nesta bairro. Os proprietários destes ocasionalmente residem na cidade, e as interrelações como diária, muitas vezes cria rivalidade entre famílias ricas, este necessariamente aumenta o gasto, e a cidade está em consequência muito beneficiada pelo consumo aumentado de luxos. Os plantadores têm a vantagem de transporte de água daqui para Recife para os seus baús de açúcar, já que este rio é um dos maior para muitas léguas para o norte ou para o sul, e é influenciada pela maré até uma curta distância acima da cidade. Goiana arquibancadas quatro léguas de distância do mar, em uma linha direta, mas à beira do rio é contado para ser sete. Acima da cidade na época das chuvas o rio transborda dos seus bancos, em grande medida.

     Goiana e sua extensa zona está sujeita em assuntos militares ao governador de Pernambuco, mas suas preocupações civis são dirigidas por um Juiz de fora, um oficial de justiça nomeado pelo governo supremo para o prazo de três anos, que reside na cidade, e de suas decisões recurso pode ser feito para o Ouvidor da Paraíba. Jantamos em uma ocasião com o proprietário do Engenho Musumbu; este senhor e alguns outros, além de nós mesmos, jantou em um apartamento, enquanto as senhoras, dos quais não estávamos autorizados até mesmo para ter uma visão transitória, estavam em outra adjacente. dois jovens homens, filhos do titular, assistida escravos de seu pai na espera sobre nós no jantar, e não sentar-se até que subiu da tabela. 

     O proprietário do lugar é um português - isso está entre esta parcela da população, que deixaram seu país para acumular fortunas no Brasil, que a introdução de melhorias é quase impossível. Muitos brasileiros da mesma forma, mesmo da mais alta classe, seguir os costumes mouriscos de sujeição e reclusão, mas estes em breve ver a preferência que deve ser dada a mais civilizada maneiras e facilmente entrar em hábitos mais polidos, se eles têm qualquer comunicação com as cidades. 

     No dia 24 de outubro, eu entreguei uma carta de apresentação que eu tinha obtido no Recife, ao Dr. Manuel Arruda da Camara, uma pessoa interessante, em seguida, colocar em Goiana muito doente de hidropisia, provocada por residir em bairros febris. Ele era um homem empreendedor, e sempre foi um entusiasta em botânica. Suas habilidades superiores teriam levado a ser agraciado por um Governo de previdência, quando uma de suas descrições está se estabelecendo em um inculto mas melhorado
país. 

     Ele me mostrou alguns de seus desenhos, o que eu achei bem executado. Eu nunca mais tive a oportunidade de vê-lo, pois quando voltei do Ceará, eu não tive tempo de perguntar e procurar por ele, e ele morreu antes da minha segunda viagem a Pernambuco. Ele estava formando uma Flora Pernambucana, que ele não viveu para ser concluído. Atravessamos as Campinas de Goiana Grande ao nascer do sol, e passamos a plantação de açúcar do mesmo nome, pertencente ao Sr.Giram, ao pé da colina, que leva você para o Dois Rios. A estrada que depois seguiu para o Rio Grande, é através de Dois Rios, mas o caminho para a Paraíba atinge fora pouco antes de chegar que, para a direita. A estrada entre Goiana e Paraíba apresenta nada de particularmente interessante,-as colinas íngremes, mas não é alto, e florestas, plantações e casas são, como sempre, os objetos a serem vistos.

     A distância é de treze léguas. Entramos na cidade de Paraiba às doze horas, e cavalgou para a casa do coronel Matias da Gama, um homem de propriedade, e um coronel da milícia. ele era um conhecido do senhor Joaquim, e estava prestes a deixar o lugar para uma de suas plantações de açúcar, o que ele fez, dando-nos inteira* posse de sua casa, e um servo para atender-nos."